sábado, 10 de agosto de 2013

Deus me livre! (Luiz Puntel)


            Tinho era um adolescente, estudante e estagiário do Banco do Brasil. Vivia no Beco do Deus-me-livre, também conhecido como Favelão, uma vila pobre e sem muitas condições dignas para uma vida saudável, localizada entre os bairros mais ricos de Ribeirânia. Órfão de pai, Tinho levava uma vida comum junto aos amigos e na rotina de trabalho/escola, até que um acontecimento mudaria completamente o curso dos seus planos.
            Certa vez, quando ia voltando para casa, Tinho avistara alguns ladrões arrombando o laboratório de uma faculdade. Sem pesar as consequências, dá voz ao seu lado super-heroi e pula a janela do recinto, na tentativa de impedir o crime. Todavia, os malfeitores acabam por sequestrar Tinho e ainda o fazem lavrar um documento como sendo o responsável por um crime ainda maior que fora planejado. Os milhares de barbeiros capturados no laboratório, foram soltos no Beco do Deus-me-livre e, diante de tamanha infestação, os moradores atearam fogo aos barrancos, gerando um estado de pânico e fazendo milhares de desabrigados. Após disseminar o caos, os sequestradores libertaram Tinho, a fim de que a polícia e a população capturassem o responsável declarado por toda aquela tragédia.
            Tinho se tornaria um foragido. Contudo, auxiliado por Padre Bernardo, que acreditara em sua história, fora levado para o Colégio Santa Inês, onde as irmãs o abrigariam até que a situação ficasse um pouco controlada. O medo e o assombro vinha assustar Tinho sempre e o fazia ter pesadelos sempre que dormia. No colégio havia um grupo de discussão coordenado pelo professor de história Eduardo, que se reunia semanalmente para tratar de algum tema de interesse social. O grupo se chamava Movidapaz e Tinho fora convidado a tomar parte em uma das reuniões, justamente aquela que abordaria a tragédia do Favelão. Mesmo sob a revolta de ser acusado por um crime que não fez, foi o momento de todos ouvirem a história contada por Tinho, numa versão que a mídia não divulgara e era perfeitamente plausível. A situação injusta na qual o garoto tinha sido envolvido gerou um clima de comoção em todos, levando o grupo a se empenhar na investigação de quem ou o quê estaria por trás daquilo tudo. Um dossiê envolvendo as principais construtoras da cidade e seus interesses na região do Beco do Deus-me-livre estaria prestes a vir à tona. E a liberdade e absolvição de Tinho seria a maior conquista do grupo, bem como a prisão dos envolvidos. No entanto, eram grandes os riscos dessa difícil tarefa.
            A narrativa de Luiz Puntel consegue absorver o leitor jovem de uma forma bastante envolvente e carregada de suspense. Ao mesmo tempo em que lida com a adrenalina, toca também o lado emocional, principalmente pela paixão mútua que Tinho e Cecília (um membro do grupo Movidapaz) começam a sentir. Enfim, o todo da narrativa acaba por transmitir uma bela lição sobre a importância de se lutar pela justiça, sem se intimidar com os poderosos. 

PUNTEL, Luiz. Deus me livre! São Paulo: Editora Ática, 1984. Col. Vaga-lume. 96 pgs.

9 comentários:

  1. Muito Bom Parabéns!

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  2. #TrabalhoFeitoSemLerOLivro!!:D

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  3. muito legal parabéns!

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  4. Quais as características do Padre Bernardo e o que ele faz na história ?

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  5. ...Gente esse livro eu lembro ter lido pela primeira vez na biblioteca do colégio no ano de 1986,e confesso,me apaixonei pela estória;a temática continua atualíssima.Eu recomendo

    Fortaleza - Ceará - Brasil

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