sábado, 16 de março de 2013

O Gigante de Botas (Ofélia e Narbal Fontes)


          A história do Brasil possui páginas de verdadeiras aventuras na tentativa de alargar as fronteiras e conhecer melhor as belezas e riquezas dessa terra. Contudo, as surpresas possuem também o seu lado sombrio, e partir rumo à busca de algo por veredas desconhecidas pode revelar-se como uma tarefa bastante arriscada. Isso quando o risco não está entre as próprias companhias que se dizem leais.
            A história dessa obra se passa durante as primeiras décadas do século XVIII, quando a corrida pelo ouro mobilizava diversos homens a saírem à sua procura. Na região de Parnaíba, próximo à cidade de São Paulo, a gente do povoado vivia dias de preparação para a partida de uma bandeira, liderada por Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, um fazendeiro do local. O Capitão João Leite da Silva Ortiz chegara para integrar o grupo de bandeirantes e se alegrava em ter ganhado a mão da filha de Anhanguera, Belinha, prometida em casamento. Seria uma motivação a mais para sua empreitada, e principalmente para seu regresso em paz e segurança.
            No dia e hora combinados, toda a bandeira se reunira e recebera as bênçãos dos clérigos, além dos cumprimentos do governador D. Rodrigo Cézar de Menezes. A expedição tinha por finalidade não só a utilidade ao serviço de El-Rei, como também a propagação da fé entre os índios nativos das matas cerradas. Deste modo, Anhanguera reunira seus filhos, o futuro genro Capitão Ortiz, o mameluco Antônio Indaiá e o mestre-fundidor Manuel Cabeça, alguns escravos e outros tantos homens para juntos partirem na busca por um objetivo comum: encontrar ouro. Todavia, nesse grupo havia também bandeirantes com ideias conspiradoras. Sebastião do Rego e Nuno Ramires confabulavam uma forma de substituir o ouro das bruacas (mala de couro cru) por pedras, tão logo fosse encontrado, a fim de obterem vantagem pessoal daquilo que era trabalho coletivo.
            Nas veredas desconhecidas das matas, os bandeirantes deviam ainda lidar com as armadilhas que os traidores armariam para dificultar a empreitada. Assim foi com um índio que havia sido mortalmente ferido à beira de um rio, numa tentativa de despistar a atenção dos aventureiros. Além do mais, a região por onde o itinerário passava era povoada por diversas tribos indígenas caiapós, quirixás e goiás, sendo que, embora muitos fossem pacíficos, outros poderiam sentir-se ameaçados e adotarem um comportamento extremamente selvagem. Alguns deles até mesmo conheciam o melhor local para que o ouro fosse garimpado. Porém, tamanha generosidade seria retribuída com sangue e dor, no episódio da morte da índia Nanã, depositando uma verdadeira cruz sobre os ombros de Anhanguera.
            Como romance escrito em parceria pelo casal Ofélia e Narbal Fontes, O Gigante de Botas é um verdadeiro drama de um período áureo da história do Brasil, mas também manchado por sangue e escravidão. A linguagem do discurso direto dos personagens, repleta de palavras regionalizadas e do estilo da época, com notas de rodapé explicativas, concede maior riqueza literária e transporta o leitor para um tempo de costumes e modos característicos. Enfim, esse mesmo leitor pode tornar-se um co-bandeirante, desde que tenha um mínimo de espírito aventureiro e um máximo de coragem para penetrar nessa história.


REFERÊNCIA LITERÁRIA
Título:       Gigante de Botas, O
Autoria:     Ofélia Fontes / Narbal Fontes
Editora:     Ática
Ano:          1983
Local:        São Paulo
Edição:     
Série:        Coleção Vaga-lume
Gênero:     Infanto-juvenil | Drama

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